Reflexão final
Participar na ação de formação "Promoção e Educação Para a Saúde Em Contexto Escolar – Primeiros Socorros Na Saúde Mental Para Professores", foi uma boa oportunidade para desenvolver conhecimentos sobre o sofrimento psicológico e os desafios que este pode causar em alunos e docentes. Esta formação, com uma temática considerada cada vez mais pertinente, ao promover a literacia em saúde mental dentro da comunidade educativa, não só ajuda a combater o estigma associado às doenças mentais como fortalece a capacidade de dar resposta a estas questões e promove ambientes mais saudáveis e, sobretudo, mais humanos e empáticos.
Na primeira sessão, foram trabalhados conceitos fundamentais inerentes à saúde mental – Saúde e Saúde Mental -, tendo-se dado primazia à distinção entre sofrimento psicológico e doença mental / psiquiátrica, distinção que se torna essencial estabelecer, sobretudo em contexto escolar, onde, frequentemente, sinais de sofrimento emocional por parte dos alunos podem ser confundidos com indisciplina ou desinteresse e/ou desmotivação. Compreender a origem multifatorial da doença mental, com base no modelo de vulnerabilidade-stress, permite-nos adotar uma perspetiva mais empática e preventiva, reconhecendo que todos estamos num continuum de saúde mental e que esta pode oscilar ao longo da vida. Neste contexto, destaca-se a importância a dar à perceção e à compreensão das nossas emoções e à necessidade de termos presente que as capacidades da inteligência emocional exercem efeitos benéficos para os educadores a nível preventivo. O processo de regulação emocional ajuda a moderar e prevenir os efeitos do stress de quem educa (Paredes et al., 2020). É igualmente importante que tenhamos ao nosso dispor ferramentas que nos ajudem a gerir o stress individual e que nos permitam promover, nos nossos educandos, o desenvolvimento de competências emocionais.
Com o tratamento do tema "Problemas de saúde Mental", foram abordados os diferentes tipos de perturbações mentais mais comuns, desde a ansiedade e depressão às perturbações mais complexas, como as bipolares, as do espectro da esquizofrenia, as alimentares e as dependências. Termos mais conhecimento sobre estes conteúdos é fundamental para nós, docentes, uma vez que estas perturbações podem manifestar-se no comportamento dos alunos e reconhecer sinais de alerta pode ser determinante para ser feita uma intervenção atempada e adequada.
Aquando da abordagem do tema "O Impacto das Doenças Mentais", foram enfatizadas as consequências das doenças mentais na profissão docente, destacando-se dois pontos essenciais: a importância de cuidar da saúde mental dos professores e os desafios específicos que a profissão impõe. Os múltiplos desafios emocionais e psicológicos que caracterizam a profissão de docente - a instabilidade emocional provocada por pressões externas, excesso de trabalho, sobrecarga burocrática, turmas numerosas, o pouco reconhecimento dado a esta profissão - são alguns dos fatores que contribuem para o desgaste emocional dos professores e os tornam mais vulneráveis a situações de burnout, ansiedade, desmotivação e até depressão e a outras condições que comprometem não só o bem-estar do docente mas também a qualidade do ensino. A docência é uma profissão que exige constante disponibilidade emocional, grande resiliência e equilíbrio pessoal e emocional. Para ensinar com qualidade, é fundamental que o professor esteja bem, física, emocional e mentalmente. Quando o docente tem a sua saúde mental comprometida, isso repercute-se na sua motivação para o trabalho, na qualidade do ensino, na relação com os alunos e colegas e até na própria visão que tem do seu papel e do seu valor profissional. Assim, consideramos que o grande pilar do sucesso educativo passa muito pela valorização e melhoria da saúde mental dos professores.
Com o tratamento do tema "Competências de Primeiros Socorros" em saúde mental, através das etapas "Aprender, Parar, Olhar, Escutar, Apoiar e Recuperar", foi possível adquirir algumas ferramentas para lidar com situações de crise ou de sofrimento psicológico, a nível pessoal ou relativamente a alunos ou colegas. Destacou-se, também, a importância de saber onde e como procurar ajuda, ações que se tornam essenciais.
Enquanto docentes, saímos desta ação de formação com alguma preparação para agir com mais responsabilidade e atenção perante situações de sofrimento psicológico, relacionadas com os outros ou connosco. Ter formação em questões de saúde mental pode ajudar a identificar precocemente sinais de transtornos mentais nos alunos e nos próprios professores, facilitando a intervenção e o apoio necessários. Contudo, consideramos que é urgente criar estratégias de prevenção e promoção do bem-estar mental dos docentes. Para além de uma maior sensibilização individual, é fundamental que existam políticas institucionais e escolares que valorizem e cuidem da saúde mental dos profissionais de educação.
A saúde mental não pode continuar a ser descurada, não pode continuar a ser "o parente pobre dos serviços de saúde". Cuidar do bem-estar em contexto escolar é cuidar da qualidade do ensino, favorecendo tanto a aprendizagem como o bem-estar emocional de todos os envolvidos.

"Guiando mentes curiosas...mesmo quando só pensam no recreio."
Celsa Faustino
Professora

"Entre uma piada e outra...tu aprendes, eu prometo!"
Elsa Tocha
Professora

"insistir é o meu super poder. Correr é o teu!"
